A guerra comercial vira-se para a UE
25-01-2020 - 09:18

O vinho português não está livre de ser vítima do protecionismo de Trump, o mesmo se diga do queijo dos Açores.

Após a pausa na guerra comercial com a China, Trump parece ansioso por atacar a UE. Com subidas de direitos aduaneiros e também com a arma do dólar.

Depois da pausa obtida no passado dia 15 na guerra comercial EUA-China, Trump agora vira-se para a Europa. Para ele não há aliados, nem distingue países democráticos – é bem possível que Trump embirre tanto ou mais com a Alemanha do que com a China.

A economia europeia poderá suportar alguns custos indiretos do acordo parcial EUA-China. Os chineses comprometeram-se a comprar muitos bens aos EUA, o que é suscetível de desviar algumas importações da Europa para exportadores americanos.

Com a Boeing em sérias dificuldades, Trump irá impor sanções à UE por causa dos subsídios públicos à concorrente Airbus. Mas o Presidente americano fala frequentemente noutras sanções comerciais a exportações europeias – automóveis alemães, vinhos e queijos franceses, whisky escocês, etc. O vinho português não está livre de ser vítima do protecionismo de Trump, nomeadamente o vinho verde, que recentemente entrou no mercado americano; o mesmo se diga do queijo dos Açores.

Mas um entusiasta do protecionismo comercial como Trump não se limita a subir direitos alfandegários. Há outras vias, talvez menos visíveis, mas muito eficazes para travar importações nos EUA.

Por exemplo, Trump ameaçou empresas europeias que fizessem transações comerciais com o Irão de as banir do sistema financeiro americano, impedindo-as de utilizarem o dólar. Ora a moeda americana é usada em mais de metade das transações comerciais no mundo, envolvendo mais do que um país. Impedidas de utilizar o dólar, inúmeras empresas fora dos EUA e em especial na Europa terão graves dificuldades.

O sistema do dólar é, assim, uma arma geoestratégica de Trump. Bem como as sanções comerciais. Não é de admirar da parte de quem encara a economia internacional apenas pelo prisma dos saldos das balanças comerciais bilaterais.

Este conteúdo é feito no âmbito da parceria Renascença/Euranet Plus – Rede Europeia de Rádios. Veja todos os conteúdos Renascença/Euranet Plus