​Venezuela anuncia saída da Organização de Estados Americanos
27-04-2017 - 00:30

Governo de Nicolas Maduro acusa organização de intervencionismo e ingerência nas questões internas do país, que vive uma grave crise social, económica e política.

Veja também:


A ministra venezuelana de Relações Exteriores anunciou esta quarta-feira que, a partir de quinta-feira, a Venezuela iniciará a sua saída oficial da Organização de Estados Americanos (OEA).

"Iniciaremos um procedimento que demora 24 meses. A Venezuela não participará em nenhuma actividade em que se pretenda posicionar o intervencionismo e a ingerência de um grupo de países que só buscam perturbar a estabilidade e a paz do nosso país", afirmou Delcy Rodríguez.

O anúncio da retirada da Venezuela foi feito numa declaração transmitida pela televisão estatal venezuelana, depois de OEA aprovar, também esta quarta-feira, a convocação de uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros para analisar a crise política na Venezuela.

Segundo a ministra, há um grupo de países da OEA que pretende prejudicar o Presidente Nicolás Maduro e a revolução bolivariana.

"São acções dirigidas por um grupo de países mercenários da política para restringir o direito ao futuro, do povo da Venezuela, o direito a viver tranquilamente", frisou.

A OEA aprovou uma resolução para convocar, com carácter de urgência, uma reunião dos ministros dos Negócios Estrangeiros dos países membros daquele organismo, para tratar da crise venezuelana.

A aprovação teve lugar com 19 votos a favor, 10 contra, quatro abstenções e uma ausência.

Votaram a favor a Guiana, Bahamas, Santa Lucia, Argentina, Barbados, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Estados Unidos, Honduras, Guatemala, Jamaica, México, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai.

Ao finalizar a votação o embaixador permanente da Venezuela na OEA, Samuel Moncada, condenou a realização da reunião extraordinária, para debater sobre assuntos internos venezuelanos, sublinhando que Caracas não aceitará uma "tutelagem" de nenhum organismo.

Segundo Samuel Moncada, a sessão é um acto hostil contra a Venezuela.

"Não reconhecemos o que se pretende impor. Nós opomo-nos a esta resolução violada e anti-jurídica. Defenderemos a soberania da Venezuela em qualquer circunstância", disse.

Várias fontes dão conta de que, além de esperar dois anos para sair oficialmente da OEA, a Venezuela deve pagar uma dívida de 8,7 milhões de dólares que tem para com aquele organismo.

Os protestos das últimas semanas na Venezuela já resultaram em pelo menos 29 mortos. Um jovem, de 20 anos, é a mais recente vítima dos confrontos entre polícia e manifestantes anti-Presidente Nicolas Maduro.