As criptomoedas têm uma má fama ligada à especulação, mas empresários na área garantem que os esquemas são criados pela própria indústria, utilizando modelos semelhantes aos dos bancos.
É o que diz Filipe Veiga, CEO e fundador da WallID, um dos convidados do segundo painel de debate da conferência "Vivemos num criptoparaíso?", apresentada pelos autores do podcast da Renascença “No paraíso das Criptomoedas”, Fábio Monteiro e Inês Rocha, e que tem agora uma versão em livro “Portugal, Paraíso das Criptomoedas”.
“Os esquemas não vêm da cripto, vêm da indústria centralizada e de empresas que criaram modelos semelhantes aos bancos, transacionando criptomoedas”, apontou o empresário.
Filipe Veiga defendeu ainda as duas grandes vantagens da blockchain, a tecnologia que suporta a transação de criptomoedas: a desintermediação e a resistência à censura
E esclarece um mito relacionado com criptomoedas: não é boa para lavar dinheiro. “Lavar dinheiro em criptomoedas é a pior ideia de sempre, lavar em euros e dólares é muito mais fácil. Tudo o que tenha a ver com transparência, seja dados, seja financeiro, a blockchain é um bom caso de uso”, disse.
Vinicius Ribeiro, representante da Enterprise Ethereum Alliance em Portugal, diz que os criptoativos ainda têm grandes desafios pela frente, sobretudo em relação à aplicação empresarial, criticando a “falta de clareza” de regulamentos.
“Muitas coisas em blockchain ainda estão em fases de testes e as empresas têm clientes que já funcionam assim”, diz.
Filipe Macedo, cofundador da Talent Protocol, admite que a maior parte das empresas na área vão falhar, e que o desafio é como tornar este negócio rentável: “É importante sermos humildes e perceber como conseguir criar empresas que sejam rentáveis e que resolvam os problemas que as pessoas têm”, afirma.
O livro “Portugal, Paraíso das Criptomoedas” será apresentado dia 11 de maio, pelas 18h30, na FNAC do Chiado, em Lisboa.