O Sindicato Independente dos Médicos diz que o novo Estatuto do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que prevê a dedicação plena dos médicos "é bem-vindo, mas não resolve os verdadeiros problemas do SNS".
À Renascença, o presidente do sindicato aponta que é necessário uma negociação salarial "que já devia ter acontecido há mais de dez anos".
"A questão de fundo não é a dedicação plena. O Governo tem de reconhecer que tem um problema, em vários hospitais, de alterar as condições remuneratórias e de trabalho de todos os médicos", considera Jorge Roque da Cunha.
"O subfinanciamento que o SNS tem sofrido nos últimos anos terá de ser resolvido de forma progressiva. Quer a iniciativa privada, quer em países estrangeiros, criam melhores condições para os médicos do que o SNS. Não é com a dedicação plena que a solução será encontrada", acrescenta.
O Conselho de Ministros aprovou esta quinta-feira o novo Estatuto do Serviço Nacional de Saúde, que vai ser agora submetido a consulta pública e que o Governo espera que entre em vigor com o Orçamento do Estado para 2022.
O aumento da remuneração para estes médicos será ainda negociado com os sindicatos. “A este regime [de dedicação plena obrigatória] em termos de acréscimo remuneratório e de acréscimo horário temos que trabalhar em sede de negociação com os sindicatos", refere Marta Temido.
Jorge Roque da Cunha espera que as negociações, de facto, avancem e que o Ministério da Saúde "cumpra a lei" e não ignore os sindicatos.
"Desde que Marta Temido tomou posse nunca nos recebeu. Tem demonstrado total indiferença", critica.
A greve dos médicos está marcada para os dias 23, 24 e 25 de novembro e o presidente do Sindicato Independente afirma que não tem havido razões para a cancelar.
"Estamos perfeitamente disponíveis para que o Ministério da Saúde inicie negociações de forma séria e calendarizada. Infelizmente, os sinais que existem não são nada nesse sentido. São no sentido de empurrar os médicos para a greve".