Greve na TAP. “Isso parece um grupo de pessoas muito insensatas”
06-12-2022 - 10:08
 • Olímpia Mairos

Comentador aborda a greve dos tripulantes da TAP e alerta para as consequências da paralisação.

Os tripulantes da TAP anunciaram uma greve para quinta e sexta-feira e a companhia área já foi obrigada a cancelar 360 voos.

Para o comentador d’As Três da Manhã, “isto parece um grupo de pessoas muito insensatas, geridas por outro grupo, também de pessoas bastante insensatas em termos de gestão”.

João Duque argumenta que quando “uma administração anuncia que contrata uma pessoa que é ‘personal trainer’ do marido da presidente do conselho de administração pelos seus dotes na área do imobiliário, depois seguido de um anúncio de compra de quase 80 BMW para pessoal de terra, deixa as pessoas do ar com a ideia de que há dinheiro”.

Depois os trabalhadores “vão pedir, de alguma forma ancorados naquilo que eram as remunerações anteriores e as condições salariais que tinham, e recebem uma resposta muito negativa”.

Neste contexto sinaliza que “os trabalhadores sentem que têm alguma razão”, admitindo que “devem ter alguma razão” para avançar para a greve.

Tendo a TAP um passivo muito pesado, esta greve não será um contributo para voltar a afundar a TAP? João Duque lembra que recentemente foram anunciados “ótimos resultados”, classificando esta política como “um bocadinho quase esquizofrénica”, que depois leva a que “as pessoas, que na prática estão no chamado ‘Core Business’, daquilo que é o negócio da companhia, a aguentar a companhia todos os dias, sintam que têm alguma razão do seu lado e depois caímos nestes extremos”.

O comentador questiona ainda: “quem é o consumidor sensato que vai comprar um bilhete na TAP para voar nesta altura do ano porque sabe que corre o risco de ficar em terra?”

“Agora junte-se a isto a necessidade aparente de vender a companhia. Quem é que vai querer comprar uma companhia que tem o pessoal em pé de guerra? Vai comprar um chamado saco de gatos. Todas estas ações parecem muito pouco sensatas para acabar com um fim bom que não sejam ‘airbus’ ao fundo, usando a expressão aplicada aos porta-aviões”, conclui.