Portas acusa Costa de “fazer pouco do povo e do Parlamento”
21-10-2015 - 01:10
 • Eunice Lourenço

O líder do CDS diz que não se podem queimar etapas e que "cada deputado é democraticamente relevante". Portas acrescenta ainda que um governo chefiado por António Costa estaria ferido de ilegitimidade.

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O líder do CDS, Paulo Portas, acusa António Costa de “fazer pouco” do povo e do Parlamento e também de não respeitar o Presidente da República, ao pretender “queimar etapas” e estar já a falar de formar governo.

“A primeira etapa é a indigitação e não vale a pena queimar etapas, que foi outra coisa que António Costa tentou fazer hoje. Aquilo que eu vi António Costa fazer à saída do Palácio de Belém é fazer pouco do povo, é fazer pouco do Parlamento. Nem tenho a certeza que seja uma forma de consideração pelo Chefe de Estado, seja ele quem for”, afirmou Paulo Portas, em entrevista ao programa Terça à Noite, da Renascença.

Questionado sobre quanto tempo levaria a coligação a formar governo, caso Pedro Passos Coelho venha a ser indigitado primeiro-ministro pelo Presidente da República, Portas respondeu que levará “o tempo que for necessário”, sublinhando não querer antecipar-se à decisão de Cavaco Silva, ao contrário do que, na sua perspectiva, fez António Costa: “Só lhe faltou dizer que as eleições foram uma perda de tempo, porque ele disse que era uma perda de tempo indigitar o vencedor das eleições.”

O presidente do CDS recusa, para já, dizer qual será a sua atitude e a da coligação caso o PS venha mesmo a formar governo, porque considera essa pretensão “ilegítima”. Para Portas, há uma tradição de quase 40 anos que está certa: é sempre o partido mais votado a formar governo.

“Para mim, se o comportamento de António Costa for ao arrepio da vontade popular, apenas bota-abaixo e bota-abaixo relativamente à coligação que venceu com o voto popular, [tentando] ser candidato a primeiro-ministro, se essa hipótese viesse a ser possibilidade, obviamente, estaria ferida de ilegitimidade”, afirmou Portas.

“Na hipótese de [ser formado] um governo de maioria relativa socialista, que é uma maioria relativa mais pequena do que a da coligação, que é a maioria relativa de quem perdeu, do candidato a primeiro-ministro que perdeu, apenas para não deixarem quem ganhou governar, [esse governo] está ferido de legitimidade”, reforçou o actual vice-primeiro-ministro.

Neste contexto, Portas diz que o PS e, nomeadamente o seu líder, estão a dividir os portugueses de uma forma como não acontecia desde o PREC (Período Revolucionário em Curso, entre 1974 e 1975). “O PS acha que pode deitar para o lixo 2,1 milhões de votos que deram a vitória à coligação Portugal à Frente. Isso nunca aconteceu na democracia portuguesa. António Costa está a dividir o país como nunca antes um líder político [o fez]. Que me lembre desde o PREC”, acusou.

“A única coisa que sei é esta: o povo votou e escolheu a coligação.. A coligação tem exactamente o mesmo direito a governar que tiveram aqueles que venceram as eleições nos últimos 40 anos. Não é António Costa que está certo rompendo uma tradição de 40 anos e vários governos. É ele que está errado e a tradição que está certa", rematou Portas.