Resolução BES. Carlos Costa presta contas e quer "repor a verdade"
23-03-2017 - 07:34

Governador é ouvido em duas audições relacionadas com o caso do Banco Espírito Santo. PCP e o Bloco de Esquerda defendem a sua demissão.

O governador do Banco de Portugal (BdP), Carlos Costa, é ouvido esta quinta-feira na comissão parlamentar de Orçamento e Finanças, em duas audições relacionadas com o caso do Banco Espírito Santo (BES) e a sua resolução.

A primeira audição arranca às 17h00 e é acerca das medidas tomadas na resolução do Banco Espírito Santo (BES), na sequência da reportagem que a SIC passou recentemente sobre aquele resgate bancário, bem como sobre a situação actual do Novo Banco.

Já às 19h00, Carlos Costa é ouvido no âmbito do pedido que dirigiu à Comissão de Orçamento, Finanças e Modernização Administrativa (COFMA) para "prestar contas sobre a actuação do banco central, defender a sua reputação e proteger a confiança do público na eficácia e na diligência da supervisão bancária acerca da resolução do Banco Espírito Santo".

Em 8 de Março, ficou decidido que o governador do BdP vai ser ouvido na Comissão de Orçamento e Finanças duas vezes, ao contrário do que pretendiam os partidos, sabendo-se então que Carlos Costa só estava disponível a partir de hoje, uma vez que tinha compromissos profissionais fora de Portugal.

Carlos Costa pediu para ser ouvido na COFMA para "repor a verdade", em reacção às recentes reportagens do canal SIC sobre o caso BES, com incidência na actuação da instituição liderada por Carlos Costa no segundo semestre de 2013.

Segundo a reportagem intitulada 'Assalto ao Castelo', técnicos do BdP assinaram uma nota informativa interna, logo em Novembro de 2013, na qual punham em causa a continuidade de quatro administradores do BES e sugeriam mesmo o afastamento imediato do presidente, Ricardo Salgado.

O PCP e o Bloco de Esquerda defendem a demissão de Carlos Costa, mas o primeiro-ministro e líder do PS, António Costa, recusou essa hipótese. Já o líder parlamentar socialista, Carlos César, admitiu que os novos dados que indiciam uma acção tardia do governador no caso BES constituem "objecto de reflexão", confirmando "falhas significativas" da supervisão.