21 dez, 2024 - 10:00 • André Rodrigues
A indefinição política na Alemanha, após a já esperada reprovação de Olaf Scholz na moção de confiança que apresentou no parlamento é “uma gripe” que “pode dar uma pneumonia a toda a Europa”, diz à Renascença o presidente da Associação Comercial do Porto.
Na opinião de Nuno Botelho, o chanceler alemão “nunca se conseguiu impor, depois de ter sucedido a Angela Merkel, que tinha um grande carisma”.
Para o empresário e jurista, as eleições de 23 de fevereiro do próximo ano trazem o risco de um crescimento ainda da AfD, o partido da extrema-direita alemã, num quadro em que “as sondagens não apontam” para uma reeleição de Scholz, mas sim para uma “força muito grande da CDU, o partido de Angela Merkel, mas também – e uma vez mais num país europeu – a AfD da extrema-direita a surgir muito forte nas sondagens… É algo que temos todos de olhar com muita atenção”.
A somar à incerteza política, a crise do setor automóvel: “a Volkswagen, que é a empresa mais forte na Alemanha, já deu como encerradas três unidades de produção”.
Botelho vê que o ajustamento do setor automóvel, motivado pela concorrência dos automóveis chineses e pelo aumento da quota de veículos elétricos no mercado “está a fazer com que tudo aconteça muito rápido e a Alemanha não estava preparada para isso”.
“Nas palavras do diretor da Euronews, um alemão, tudo isto está a provocar um ataque cardíaco na Alemanha e isso pode ser muito grave para a Europa”, assinala.
Portugal está incluído entre os países mais dependentes da economia germânica e, com a crise na Alemanha somada à incerteza política em França, “vai sofrer”.
“Temos uma situação de navegação à vista, porque o investimento direto estrangeiro, nomeadamente da Alemanha e de França, tem sido fundamental para a criação de postos de trabalho em Portugal. Se essas economias não surgirem, de repente, teremos rapidamente de nos reinventar e virar para outros hemisférios, o que é muito complicado”.
Do outro lado do Atlântico, Donald Trump, prestes a tomar posse na Casa Branca, "não vai perder a oportunidade de aproveitar a situação", antecipa Botelho.
Ana Pinho e a Fundação de Serralves. “Foi eleita por unanimidade e aclamação como nova presidente do Conselho de Fundadores. Há uma Fundação de Serralves antes de Ana Pinho e uma Fundação de Serralves depois de Ana Pinho. Ao longo destes nove anos em funções, o número de visitantes duplicou, Ana Pinho enfrentou a pandemia, mais do que duplicou o valor das obras e do acervo da Fundação, duplicou o número de mecenas. Daí o meu Norte e o meu cumprimento a Serralves e a Ana Pinho”.
Absentismo no SNS. “É um sintoma muito grave porque mostra que, apesar de todo o investimento feito pelos sucessivos governos, verificamos que os próprios profissionais de saúde muitas vezes não dão exemplo. Os números apontam para uma média de 30 dias de ausência por ano. Não há sistema que aguente. Por isso, o meu apelo para que quem trabalha no Serviço Nacional de Saúde tenha outra postura perante estas questões”.