18 fev, 2022 - 14:46 • Ricardo Vieira, com agências
A Rússia está a concentrar na fronteira com a Ucrânia o maior número de tropas desde a II Guerra Mundial, alertam os Estados Unidos.
O aviso foi deixado esta sexta-feira pela delegação norte-americana na Organização para a Cooperação e Segurança na Europa (OSCE).
O enviado dos EUA, Michael Carpenter, considera que a Rússia está a levar a cabo “a mais significativa mobilização militar na Europa desde a II Guerra Mundial”.
“Em vez de fornecer transparência e se envolver na redução de riscos, a Rússia optou por fornecer desinformação e se envolver em negação e engano”, declarou Michael Carpenter.
Atualmente, há entre 169 mil a 190 mil soldados russos “dentro ou perto da Ucrânia”, salientou o enviado norte-americano.
“A Rússia tenta, cinicamente, retratar a Ucrânia, a NATO e os Estados Unidos como agressores, ao mesmo tempo que posiciona uma força de ataque massiva, ameaçando invadir o seu vizinho”, acusou Michael Carpenter.
O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, considera que uma invasão da Ucrânia pela Rússia seria uma “catástrofe”.
"Com uma concentração de tropas russas em torno da Ucrânia, estou profundamente preocupado com o aumento das tensões e o aumento da especulação sobre um conflito militar na Europa", disse António Guterres.
O secretário-geral da ONU defende que "não há alternativa à diplomacia", num apelo ao diálogo entre os blocos em conflito.
Os civis na cidade de Donetsk, no Leste da Ucrânia, controlada pelos separatistas, vão ser retirados para a Rússia, disse esta sexta-feira um líder regional citado pela BBC.
Denis Pushilin, líder da autoproclamada República Popular de Donetsk, anunciou nas redes sociais que a Rússia concordou em fornecer abrigo para às pessoas que tencionam deixar a região.
O primeiro-ministro, António Costa, defendeu hoje que a União Europeia (UE) deve "explorar até ao limite" as vias diplomáticas com a Rússia, relativamente à ofensiva na fronteira ucraniana, vendo as sanções europeias a Moscovo como "situação limite".
"O que resulta de essencial dessa reunião [de chefes de Governo e de Estado europeus] não é a ameaça das sanções, é o investimento de toda a UE em explorar até ao limite as vias diplomáticas, por via do diálogo" com a Rússia, afirmou António Costa.
Falando aos jornalistas portugueses em Bruxelas, um dia após os líderes da UE se terem reunido num encontro informal sobre a crise ucraniana, o chefe de Governo português defendeu "diálogo, diálogo, diálogo" com Moscovo e "todos os esforços diplomáticos", nomeadamente em formatos bilaterais, entre os Estados Unidos e Rússia.
"Não queremos chegar a uma situação limite de ter de aplicar sanções", vincou António Costa.
Questionado sobre eventual indecisão dos líderes europeus para avançar com estas sanções à Rússia, que podem ser por exemplo financeiras, o primeiro-ministro adiantou que "não há hesitação entre os 27 no empenho de [...] assegurar, por via diplomática, o que é necessário assegurar para garantir a paz na Europa".