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Brasil condena decisão de Israel de declarar Guterres 'persona non grata'

03 out, 2024 - 17:42 • Lusa

Governo brasileiro fala de um "ataque do Governo de Israel a uma Organização que foi constituída para salvar a humanidade do flagelo e atrocidades da II Guerra Mundial e para proteger os direitos humanos fundamentais".

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O Brasil condenou a decisão do Governo de Israel, anunciada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Israel Katz, de declarar o secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, como "persona non grata", segundo comunicado divulgado esta quinta-feira.

O país sul-americano lusófono considerou que "tal ato prejudica fortemente os esforços da Organização das Nações Unidas em favor de um cessar-fogo imediato no Oriente Médio, da libertação imediata e incondicional de todos os reféns e de um processo que permita a concretização da solução de dois Estados".

Em defesa do secretário-Geral da ONU, o Brasil avaliou que a decisão do Governo israelita de considerar Guterres 'persona non grata' representou um "ataque do Governo de Israel a uma Organização que foi constituída para salvar a humanidade do flagelo e atrocidades da II Guerra Mundial e para proteger os direitos humanos fundamentais e a dignidade da pessoa humana, [que] não contribui para a paz e o bem-estar das populações israelita e palestiniana e afasta a região de uma solução pacífica".

"Ao manifestar sua solidariedade ao Secretário-Geral António Guterres, o Brasil reafirma a importância das Nações Unidas, notadamente de sua Assembleia Geral e de seu Conselho de Segurança, nos esforços pelo cessar-fogo e por uma solução de dois Estados", concluiu a nota assinada pelo Ministério da Relações Exteriores do Brasil.

Na quarta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Israel Katz, declarou Guterres 'persona non grata' por alegadamente não ter condenado o ataque do Irão a Israel ocorrido na véspera.

"Qualquer pessoa que não possa condenar inequivocamente o ataque hediondo do Irão a Israel não merece pôr os pés em solo israelita. Estamos a lidar com um secretário-geral anti-Israel, que apoia terroristas, violadores e assassinos", disse Katz, num comunicado.

Na terça-feira, Guterres havia condenado o alargamento do conflito no Médio Oriente "com escalada após escalada" e apelou a um cessar-fogo imediato após o Irão atacar Israel com mísseis.

"Condeno o alargamento do conflito no Médio Oriente com escalada após escalada. Isso deve parar. Precisamos absolutamente de um cessar-fogo", frisou o ex-primeiro-ministro português, através da rede social X.

A publicação de Guterres surgiu pouco depois do início de um ataque que o Governo do Irão lançou, com cerca de 200 mísseis contra Israel, em retaliação pelo assassinato do líder do movimento islamista palestiniano Hamas, Ismail Haniyeh, do chefe do grupo xiita libanês pró-iraniano Hezbollah, Hasan Nasrallah, e de um general iraniano.

As Forças de Defesa de Israel disseram que a maioria dos mísseis foi intercetada com o apoio dos Estados Unidos e Washington garantiu que vai colaborar com Telavive na resposta a Teerão.

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