05 ago, 2020 - 09:22 • Liliana Carona
A placa de sinalização de Vilar Formoso ergue duas imagens de Nossa Senhora, com dois terços colocados em cada uma delas. A sinalética alterada é captada pelos telemóveis dos emigrantes que chegam e demonstra que há algo diferente na fronteira.
Durante a semana, o movimento é diminuto no sentido Espanha-Portugal e a GNR confirma o decréscimo de tráfego quando comparado com o período homólogo.
“No primeiro fim de semana de agosto, registámos uma redução de 20%, face ao ano anterior, mas se olharmos a junho e julho notamos uma diferença de mais de 30% de diminuição do fluxo rodoviário”, diz à Renascença o capitão Fernandes, comandante do destacamento territorial da GNR de Vilar Formoso.
Durante o fim de semana, a média é de 500 carros por hora, mas à semana, a média é inferior”, indica.
A GNR continua atenta ao controlo das fronteiras e monitorização de trânsito, aproveitando para transmitir alguns conselhos no seguimento das recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS).
“Um dos conselhos que damos é evitar deslocações desnecessárias e grandes aglomerados, mas também conselhos relativos à segurança rodoviária e prevenção de incêndios rurais”, afirma o Capitão Fernandes.
Quem chega a Vilar Formoso, segue viagem. Assim nota Isabel Neto, 51 anos, secretária no primeiro restaurante, depois de passar a fronteira.
Diz que “há menos gente, não tem nada a ver. Já estávamos a contar, mas não pensávamos que fosse tanto”, lamenta, dizendo que os clientes não param como noutros anos.
Três meses e meio depois, comerciantes de Chaves e(...)
Foi numa dessas paragens breves e raras dos emigrantes no comércio de Vilar Formoso que a Renascença encontrou António e Anie.
António dos Santos Ribeiro, 70 anos, teima em ouvir Amália Rodrigues no carro que partilha com a mulher, francesa. Há 54 anos que é emigrante em França. Por lá encontrou trabalho e o amor com Anie, também com 70 anos. Juntos fazem mais de 1000km para regressar a Bordéus. Chegaram à Figueira da Foz, no dia 15 de julho e já estão de partida.
“Trabalho por conta própria nas obras e estou junto com Anie, que é francesa”, justifica a partida em ritmo apressado para o país de acolhimento, salientando que na sua terra natal, a Figueira da Foz, “não havia epidemia”.
Anie remata: “Portugal é bonito, um pouco frio, andámos sempre de máscara", encolhe os ombros.
Andar de máscara e outros conselhos são deixados pela GNR que ali, na fronteira de Vilar Formoso. O Capitão Fernandes diz que “ainda é uma conclusão precipitada, mas verificamos que há muitos emigrantes que já estão a regressar aos países que os acolheram”.
Grandes ou pequenas, para António e Anie, o balanço das férias é positivo. “Estou muito contente, sinto-me muito bem em Portugal e todos os anos virei cá, ela também gostou”, sorriem cúmplices.