20 mar, 2024 - 07:00 • Liliana Monteiro
Os partidos com maior expressão de votos nas legislativas de 10 de março defendem a necessidade de uma reflexão sobre as Forças Armadas, mas sustentam que o serviço militar obrigatório não deve regressar.
Marcos Perestrelo, responsável pelo programa da Defesa apresentado em campanha pelo Partido Socialista (PS), considera que o serviço militar obrigatório, que deixou de existir em 2004, não deve regressar.
“Não podemos, em caso algum, olhar para o serviço militar obrigatório como uma forma de resolver com mão de obra barata problemas e dificuldades que as forças armadas têm relativamente ao recrutamento de novos militares e por outro na retenção”, argumenta.
"O serviço militar obrigatório não pode ser solução para um problema que é sobretudo conjuntural, embora se tenha vindo a tornar estrutural”, acrescenta Perestrelo.
Pagar melhor e criar mais condições para os militares, assim como apostar na compra de material, é o caminho longo que deve ser feito. Marcos Perestrelo sublinha que esse caminho “tem de se fazer rapidamente, não pode demorar uma década”.
PS: "Não pode ser solução."
Na mesma linha, Jorge Pereira, assessor do Chega para a área da Defesa, considera que o serviço militar obrigatório é um erro.
“Está estudado em países como Israel ou outros com fronteiras que representem uma ameaça que, dada a sofisticação das armas, precisamos de uma formação bastante rigorosa dos efetivos que não se coaduna com um serviço obrigatório de seis meses", diz. "Não é viável”, reforça Jorge Pereira.
"Há estudos que mostram que esses seis meses têm um custo superior às vantagens que as forças armadas retiram desse serviço militar obrigatório”, arguemnta o assessor do Chega para a área da Defesa.
Chega: "Não é viável."
Pela Iniciativa Liberal, Rodrigo Saraiva considera que obrigar a entrar nas forças armadas não é solução: “A nossa resposta continuará a ser um 'não' ao serviço militar obrigatório, mas será um 'sim' em tornar as forças armadas atrativas e com bons recursos humanos, e pessoas a procurar a vida militar como solução."
Da parte do PSD nenhum responsável se disponibilizou para responder à Renascença sobre esta matéria.
No entanto, no programa eleitoral para as últimas eleições a AD dizia que “a falta de renovação geracional em Portugal não explica porque não conseguimos atrair, recrutar, mas sobretudo manter e desenvolver carreiras profissionais sólidas em todos os níveis hierárquicos das forças armadas”, considerando muito negativa a realidade com que o país se depara ao nível dos efetivos.
Entre as prioridades elege um “processo de negociação para a melhoria significativa das condições salariais em geral e em particular da categoria de Praças, para garantir o recrutamento de voluntários necessários para atingir os efetivos autorizados” e o aumento “ do investimento em Defesa e desenvolver a indústria nacional de defesa, aproximando o valor da despesa em % do PIB do compromisso assumido por Portugal no âmbito da NATO”.
IL: "A nossa resposta continuará a ser um 'não'."
Dados revelados à Renascença pelo Ministério da Defesa revelam que 63% dos jovens inquiridos no âmbito do último dia da Defesa Nacional consideram que os acontecimentos internacionais são uma ameaça importante para a segurança de Portugal.
Questionados sobre qual a disponibilidade para participarem na defesa do país, apenas 25% responde "sim", em qualquer circunstância, incluindo de ataque militar. Uma fatia de 44% responde "sim", mas apenas em missões de apoio à população e 31% não estão dispostos a integrar a reserva de voluntários.
Dos três ramos das forças armadas a preferência vai para o Exército, seguido da Força Aérea e por fim, a Marinha.
Em 2023, foram convocados ao Dia da Defesa Nacional cerca de 110 mil jovens. Este ano, o número deve subir para os 134 mil cidadãos nascidos em 2005.
A Dinamarca decidiu introduz o recrutamento obrigatório de mulheres no serviço militar para ajudar a resolver os desafios da Defesa.
No resto da Europa, Noruega, Áustria, Suíça, Estónia e Lituânia têm em vigor serviço militar obrigatório.
Até julho, a Polónia e a Alemanha vão ter uma força de reação rápida constituída por cinco mil homens.