31 jan, 2019 - 09:57 • Redação com Lusa
Um parente precoce dos dinossauros, do tamanho de uma iguana, viveu na Antártida há 250 milhões de anos, segundo cientistas norte-americanos citados na publicação científica "Boletim de Paleontologia de Vertebrados".
Nessa altura, a Antártida estava coberta de florestas e tinha temperaturas amenas, abrigando animais selvagens como o réptil agora descoberto, a cujo fóssil foi dado o nome de "Rei da Antártida".
"Este novo animal era um arcossauro, um antepassado primitivo de crocodilos e dinossauros", disse Brandon Peecook, um investigador do museu Field de História Natural, em Chicago.
Segundo o responsável, principal autor do artigo em que é descrita a descoberta, a nova espécie era parecida com um lagarto, mas evolutivamente foi um dos primeiros membros desse grande grupo. "Ele explica como é que os dinossauros e os seus parentes mais próximos evoluíram e se disseminaram", disse.
O esqueleto fossilizado foi encontrado incompleto, mas os paleontólogos dizem ter ainda assim uma ideia aproximada do animal, classificado como "Antarctanax Shackletoni", com a primeira palavra a traduzir-se por "Rei da Antártida" e a segunda sendo uma homenagem ao explorador Ernest Shackleton, um britânico que viveu no início do século XX e que liderou três expedições à Antártida.
Com base nas semelhanças com outros fósseis, Peecook e outros autores do artigo dizem que provavelmente o "Antarctanax Shackletoni" era um carnívoro, que caçava insetos, mamíferos e anfíbios.
Dizem os autores do artigo que cerca de dois milhões de anos antes do "Antarctanax" viver a Terra teve a maior extinção em massa de todos os tempos, causada por alterações climáticas devido a erupções vulcânicas. Cerca de 90% da vida animal foi morta.
O período seguinte foi de descontrolo evolutivo, com novos grupos a competirem para preencher os espaços deixados livres pela extinção em massa. Os arcossauros foram um desses grupos que tiveram um grande crescimento.
O facto de os cientistas terem encontrado o "Antarctanax Shackletoni" ajuda a reforçar a ideia de que a Antártida foi um local de rápida evolução e de diversificação, após a extinção em massa.